II ENCONTRO DE PESQUISADORES DO FREVO

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APRESENTAÇÃO

Os bens culturais representativos das formas de expressão, práticas, saberes, celebrações, lugares de diferentes coletividades, reconhecidos ou não oficialmente como patrimônio mantém, de uma maneira geral, uma forte relação com determinados territórios. Não por acaso, que as tensões e debates que desde o início do Século XX passaram a estar relacionadas a processos de ocupação e requalificação do centro e de outros espaços nas cidades do Brasil, têm, como pano de fundo, preocupações relativas à proteção e a salvaguarda do patrimônio em determinadas localidades, que se configuram como espécies de “territórios culturais” de referência para inúmeras coletividades.

Há, entretanto, uma relação direta destes bens culturais com outros campos, delimitados por meio do que poderíamos chamar de “fronteiras simbólicas”. Apesar de reconhecermos, cada vez mais, a impossibilidade de compreender a cultura como sendo uma totalidade dada, objetiva, coerente e situada no tempo e no espaço; bem como compreendermos a importância dos processos de circulação e circularidade para a própria dinâmica e continuidade das expressões culturais, é importante levar em consideração o fato de que há uma forte ligação destes bens culturais com outros territórios “sociais”, “políticos”, “estéticos” e “econômicos”, construídos e mantidos simbolicamente ao longo do tempo por meio de práticas e representações sociais.

O frevo, por exemplo, assim como outros bens patrimonializados, mantém uma relação histórica com determinados territórios culturais, quais sejam, bairros, ruas, praças, clubes, sedes. Sua proteção e salvaguarda, além disto, está também fortemente relacionada à sua manutenção em outros espaços, delimitados por fronteiras simbólicas, como as comunidades, os ambientes e as relações de aprendizado formais e informais, os rituais e festividades, os lugares de lazer e sociabilidade, os meios de comunicação, os campos de produção, definição e consumo estético e artístico, dentre outros.

Compreendendo a importância destes múltiplos territórios culturais e espaços delimitados por meio de fronteiras simbólicas, o Paço do Frevo, irá promover entre os dias 11 a 13 de novembro de 2015 o II Encontro de Pesquisadores do Frevo, com o objetivo de provocar um amplo debate sobre a importância destes diferentes territórios e fronteiras e das implicações decorrentes dos processos de desterritorialização, deslocamento, circulação e circularidade para o frevo e outros bens reconhecidos de diferentes formas como patrimônio.

Mantendo os princípios norteadores do I Encontro de Pesquisadores do Frevo realizado em 2014, o evento deverá reunir pesquisadores das mais diversas áreas para construir diálogos sobre o frevo e os demais bens culturais, a partir de múltiplas perspectivas, seja por meio de um viés acadêmico – com base na história, sociologia, antropologia, artes cênicas, música ou áreas afins; seja a partir das vivências e saberes tradicionais acumulados ao longo das trajetórias de vida das pessoas diretamente envolvidas com o seu universo.

Considerando que há muitas vezes um processo assimétrico nas atividades de investigação e avaliação das políticas públicas e que existem diferentes formas de envolvimentos e visões de mundo entre os diversos atores sociais, acredita-se que o “II Encontro de Pesquisadores do Frevo: entre territórios culturais e fronteiras simbólicas”, partindo de uma perspectiva predominantemente dialógica e polifônica, poderá contribuir para um alargamento da compreensão do universo do frevo e os demais bens culturais, bem como oferecer subsídios para aprimorar as respectivas ações voltadas à salvaguarda.